Segunda-feira, Abril 25, 2005

O meu 25 Abril 

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Nasci após a revolução de Abril. Quase um ano depois. Desde muito cedo que escutava à mesa, os meus pais e tios, falarem dos tempos do Salazar. Da pide e do que tinha sido o 25 Abril. De como o meu pai andara, á revelia da cautela, no meio da confusão. Valera o choro da minha mãe levando nos braços o meu irmão, de apenas 2 anos. A mim soava-me tudo um filme, mas de guião e elenco à portuguesa. Por entre uma elite conservadora e uns militares, despertos por uma guerra, uma vasta gente de "Tonis" de bigodinho e calça farta. Gente comum a gritar pela liberdade. Liberdade, na esperança de pão na mesa. Era este o meu 25 de Abril.
A cada data comemorativa, sinto-me mais culpada. A lembrança do sentido da revolução vai perdendo a força. Não se dá pela diferença. Tudo parece garantido. No entanto, dou ao dia o ceremonial devido, papo todos os especiais da Tv e jornais que abundam nesse dia. Numa esperança infantil, faço ainda um zapping a uma CNN, a uma BBC, convencida da importância da nossa revolução dos cravos.
A isto apenas se junta um almoço de família, onde a revolução traz o pretexto de falar mal do Portugal de agora, "Que isto no tempo do Salazar não era assim e havia nada senão respeito", sim, certo. Respeito e nada mais. Orgulhosamente sós.

Abril 

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Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.

Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder

Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci

E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...

E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós

Paulo de Carvalho " E depois do Adeus"
Música: José Calvário
Letra: José Niza


Sexta-feira, Abril 08, 2005

Segredos 

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Durante o sono da noite, torno-me louca. Rasgo-te do meu corpo como se fosses um amontoado de trapos, indistintos em mim.
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