Domingo, Novembro 28, 2004

Domingos 

Gosto do bater da chuva no vidro do carro. Não sei porquê. Conduzo em silêncio enquanto a chuva cai. Especialmente quando vem amiúde. Gosto de ouvir o som da chuva. Lenta. Depois o movimento do pára brisas. Da sua moleza de arranque. Da sua demora. Tudo numa preguiça. Gosto do bater da chuva. Não sei porquê.

Há muito que não me acompanhas nestas viagens. Há demasiado tempo que os kilómetros se tornaram solitários. Na verdade, não me importo assim tanto . Gosto de os fazer. Afinal todo o tempo é agora meu. E eu tenho todo o tempo do mundo. Decido os meus silêncios.

Gosto do bater da chuva. Não sei porquê.


Terça-feira, Novembro 23, 2004

Embrace 

Espero por ti mas não te escrevo mais. Que palavras escrever. Que mais espaços deva preencher. Sabes-me aqui e isso é tudo.


Quarta-feira, Novembro 17, 2004

Tons de música IV 


Mais um amanhecer. Uma única banda sonora matinal.

From the very first time I rest my eyes on you, boy
My heart said follow through
But I know now that I'm way down on your line
But the waiting feeling's fine
So don't treat me like a puppet on a string
Because I know how to do my thing
Don't talk to me as if you think I'm dumb
I wanna know when you're gotta come, you see

I don't wanna wait in vain for your love
I don't wanna wait in vain for your love
I don't wanna wait in vain for your love

(...) and I'm still waiting there

Like I said
It's been three years since I'm knocking on your door
And still I can knock some more
Ooh boy, ooh boy - is it crazy look, I wanna know now
For I to knock some more
You see

In life I know that there is lots of grief
But your love is my relief
Tears in my eyes burn
Tears in my eyes burn

While I'm waitin' While I'm waitin' for my turnYou see

I don't wanna wait in vain for your love
I don't wanna wait in vain for your love



Annie Lennox "Waiting In Vain"

Quarta-feira, Novembro 03, 2004

Dou conta que 


Em breve deixarei de estar aqui. Tudo ficará mais silencioso. As chaves rodarão menos vezes naquela porta. O telefone tocará menos vezes a avisar, que hoje o jantar não é em casa. Desaparecerão os chás, e as suas caixinhas de latão. Os tantos livros alinhados. Os "body lotion". Os frascos de perfume pequenos, porque maiores podem soar a desperdicio, quando um dia postos de lado. A roupa espalhada sem cerimónia e amontoada na cadeira do quarto. Os muitos sapatos. A bolsinha de cosméstica. As escovas de madeira anti-qualquer-coisa em cima da bancada. De mim ficará só um espaço de vazio. Tudo o mais será de outro alguém.

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