Sábado, Outubro 30, 2004

Sextas à noite 


Vigiei-te o sono . O pouco que conseguiste ter. No teu rosto, estampada a inquietude de uma razão atormentada . Falavas com febre. Algo imperceptível. Repetidamente. Desnecessariamente. Eu sabia o que tentavas dizer. Pedi que dormisses. Sossegar no meu colo . Na minha vigília . No meu cuidado de mulher. Respiravas agora de modo pesado . Afundado de vez em sonos mais tranquilos do que aqueles que nos fogem, nestas nossas vidas semi-vividas, semi-despertas. Desprendi-me do teu corpo aos poucos ao dar conta que sossegavas. Virei-te costas e fiquei a sós comigo . Procurei-te a mão ...talvez ela me pudesse guiar por entre os tantos muros que encontro á minha volta .

Depois pouco recordo . Umas ruas. Um outro carro . Um beijo e um adeus.
Fiquei aqui. Censuro-me. De que me serve uma vitória, agora que te foste?


Segunda-feira, Outubro 25, 2004

Às segundas... 

Porque passo os dias a olhar as horas que não passam nunca.
Porque quero que os dias andem depressa sem dar conta do desespero que me toma.
Porque me custam os dias separados que vivemos assim.
Porque não sei mais que desculpas inventar ao nascer de um dia.


Quarta-feira, Outubro 20, 2004

Assim 

Habituamo-nos à ausência. Mesmo daqueles, quem dizemos amar.


Quarta-feira, Outubro 13, 2004

Captain's Log II 

Um encolher de ombros do tamanho do mundo. Foi tudo o que fiz. Tirei os olhos da estrada por uns segundos...e fui para outro lugar...Imaginei-me a correr por ali adiante, a pisar os torrões de terra já meio desfeitos pela chuva inicial de Outono. Tão livre como um qualquer pássaro que por ali passava aquela hora.


Terça-feira, Outubro 05, 2004

Captain's Log I 


Mais uma viagem. Mais um percurso, já entre tantos, para preencher o tempo que teima em sobrar. Um tempo que teimosamente me bate à porta, troçando do meu estar. Atravesso o rio. À direita uma cidade que abandono em desagrado por uns dias. É que assim torna-se mais fácil voltar. Volto na confusão dos dias de semana, onde somos todos um pouco indiferenciados. Volto à estrada por mais uns momentos e volto a ti...Acelero, como se isso me afastasse mais de ti. Como se isso me aliviasse um pouquinho que fosse. Vem antes um aperto. Seguido de uma confrontação de certezas. Em todas elas o mesmo. Sou eu na tua essência. Sou eu no teu esquecimento.


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