Quarta-feira, Agosto 25, 2004
Tons de música
We have both been here before
Knockin’ upon love’s door
Begging for someone to let us in
Knowing this we can agree to keep each other company
Never to go down that road again
My beloved one, my beloved one
Your eyes shine through me
You are so divine to me
Your heart has a home in mine
We won’t have to say a word
With a touch all shall be heard
When I search my heart it’s you I find
My beloved one, my beloved one, my beloved one
You were meant for me
I believe you were sent to me from a dream straight into
To my arms
Hold your body close to me
You mean the most to me
We will keep each other safe from harm
My beloved one, my beloved one, my beloved one
My beloved one, by Ben Harper
Segunda-feira, Agosto 23, 2004
A6
Falam ao regressar. Vozes familiares desde o berço. Grito-lhes em surdina que se calem. Que se juntem ao meu silêncio. Ao meu luto. Não adiantaria. Tomariam antes uma atitude de espanto e de crítica básica. De cansada que me sinto, depressa lhes cederia a razão. Prefiro ver o que me passa na janela. Campos de vegetação rala e seca. Extensa até perder de vista. Relembro-me que ainda há uns poucos meses havia por aqueles campos um florido de cor. E pergunto-me agora porque razão nunca parei a meio do destino e me deixei ir ao encontro das suas texturas e cheiros. Sentir-me mais viva do que hoje...
Um sobreiro solitário aqui e acolá. É tudo o que resta agora. E assola-me a inquietudade. A inveja da sua paz. Num instante recortes de ti... E afundo-me ainda mais na desolação da paisagem.
Falavas de como um dia ficariamos por aqui. Teriamos os bichos. A terra. Livres.
Hoje regresso a casa. Deixei os bichos e a terra. Ficam aos cuidados de outros que não nós, em jeito de abandono.
Tenho comigo os bichos e a terra. Porém não sou livre. Fiquei presa. Num desses teus bolsos que hoje te vestem.
Quarta-feira, Agosto 11, 2004
Á saida
- Que tens? Perguntei-te.
- Nada. Respondeste. Mentias e eu soube logo ali. Aceito-te o beijo fugidio e viro costas. Saio em ódio. A mim. A esta minha maneira de ser. Atravesso a distância directa ao elevador a repetir em surdina as palavras que me seguem á tanto tempo. Esbarro em alguém no elevador. Sorri para mim, inconsciente do tormento que passo. Digo um boa noite sem levantar os olhos do chão. Não consigo. Provavelmente iria ver-me reflectida no espelho. Encontrar-me baça. Umas covas fundas. Um olhar vago, perdido e triste. Aquela eu.
Dar uns passos mais à frente. É-me dificil andar. Articular membros e cerebro ao mesmo tempo. Tenho que me relembrar do caminho e o que tento fazer. Dói-me o corpo. Os ossos parecem estilhaçar por dentro. É tão intenso...
Vejo-te uma e outra vez...
Terça-feira, Agosto 03, 2004
Agora, aqui
encolhida em cima da cama. Deu tempo apenas para pousar a mala no chão do corredor sem cerimónias. Sinto-me triste. Sem chão, sem norte. Deito-me assim, tal como estou, em cima da cama. A Joana diria coisas, se me visse a amarrotar este vestido de linho, que tanto trabalho de lhe dá a passar. Peço-lhe paciência. Que se dane. Que é um vestido comparado comigo?
Fito as paredes devagar e aquilo que as veste. A cor da cama. A colcha branca de linho que a cobre. Todos os objectos alinhados no meu angulo de visão. Tudo igual, tudo entediante. Não me mexo nem um milímetro. Não tenho porquê. Todo o meu corpo é um peso morto, inerte sem chama. Deixo-me ir em sonhos breves. Arrastada para outras paragens. Entro em ficções. Em outras realidades superáveis e doces.
Tu e eu. Aqui.
Segunda-feira, Agosto 02, 2004
Dias
Devia desistir de ti. Do mal que me fazes passar. Das minhas próprias fraquezas, em que me teimas confrontar. Fico consumida na raiva de não te conseguir largar. Seria fácil. Bastaria apenas seguir as palavras, muitas, que saem da minha razão. Arranjo á pressa uma desculpa de consolo. Uma desculpa de arrasto para um outro dia, de presença tua em mim. Uma desculpa que me permita viver, ainda outro dia, na ilusão que me ames. Prefiro todos esses dias, aos outros, vestidos de cinzento e varridos a chuva fria.
Ausências
Tinhas o jeito nervoso de puxar as peles entre os dedos da tua mão. Não combinava contigo. Essa muralha transfigurava-se e eu encolhia-me nela. Tentava dar-te jeito. Não me apetecia ver-te assim. Num limiar só teu. Aí, não pensavas mais em mim. Entravas numa espiral de pensamentos só teus, onde eu não podia entrar. Falavas do tempo e de como este país ia de mal a pior. Sobre nós nada dizias. Eu ficava ali, sentada, pequena, cada vez mais pequena, mergulhada e afogada na minha humilhação, própria de quem se sentia despeitada.
Não dei conta do tempo. Veio a conta e pagou-se. Perguntaste se eu ia contigo. Apeteceu-me dizer que não. Que te importava se não querias saber... Mas não disse nada, e segui-te.
Não dei conta do tempo. Veio a conta e pagou-se. Perguntaste se eu ia contigo. Apeteceu-me dizer que não. Que te importava se não querias saber... Mas não disse nada, e segui-te.