Quarta-feira, Abril 28, 2004
Espaços
Volto à cama dos nossos primeiros anos, da única disponivel...lembras-te dela? Enorme e ruidosa...Tinhamos a sorte de ter uma casa muitas vezes vazia e nela habitavamos horas, que depressa foram dias, e sem dar por isso, semanas...
Fim de semana arrancado á força, de mim... desta solidão. Matar saudades das cores e dos cheiros. Da família que me recebe á chegada. Esboço uma resposta, um sorriso de felicidade. De reconhecimento de colo. Porém, o olhar... Alguém nota o sorriso ensaíado. Dá-me um abraço. Um consolo que não consigo afastar. À meia hora seguinte começo a questionar a minha sensatez. Não devia estar ali...as memórias mais ou menos recentes...
Alguém pensa ser boa ideia voltar a atribuir-me o meu antigo quarto, desconhecendo os nossos amares proibidos por ali...Não sei o que sinto...Talvez uma dor...Talvez uma invasão de odores perdidos...
Abro a cama devagarinho. Reconheço imediatamente os lençóis de flanela, os rosa...As casas continuam frias...
Deslizo devagar, com medo de acordar recordações...Sinto um enorme respeito. Sei de cor o poder da sua inquietude.
Dou uma volta na cama. Amanhã não sou mais aqui...
Terça-feira, Abril 27, 2004
Um desejo
Ainda choro ao adormecer. Durmo na esperança que não estejas mais aqui, no entanto, despertas a meu lado. Queria tanto. Queria tanto voltar a ter as manhãs sonolentas e vazias. Ocas de pensamento. Preenchidas de futilidades de quem se tenta aconchegar ás pressas do dia.
Tomas-me de assalto ao primeiro despertar e eu deixo. Sinto-me aos tombos, a cair num vazio que não termina nunca. Estilhaçada. Sempre que me vens lembrar de ti, de nós, do que não somos.
Hoje é um desses dias em que não sou nada. Sou um enrolar de trapos caídos por aí, sem ninguém notar. Também... o que dizer?
Não vem o dia nem a noite. Tanto faz. Queria uma manhã, um anoitecer sem ti, pode ser?
Ouvi dizer que o nosso amor acabou...
Pois eu não tive a noção do seu fim
Pelo que eu já tentei,
eu não vou vê-lo em mim
(...)
E pudesse eu pagar de outra forma...
(...)
A cidade está deserta
e alguém escreveu o teu nome em toda a parte:
nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas.
Em todo o lado essa palavra,
repetida ao expoente da loucura!
Ora amarga, ora doce...
Para nos lembrar que o amor é uma doença,
quando nele julgamos ver a nossa cura...
Ornatos Violeta
Ouvi Dizer
Sexta-feira, Abril 23, 2004
Tons de música III
I want you
Though you dare to deny it
I’m always reminded of you
And the more you forbid me
The more I need you to give me
Morning comes upon us
To impose another day
Though I might try to force myself to sleep
Why should i
Face up to
Another waking day
When there’s a chance you’ll come to me
In dreams
Moloko
I Want You
Terça-feira, Abril 20, 2004
Horas de expediente
Estou ausente. Não consigo fazer nada. Fico aqui sentada à espera...Não consigo sequer fazer um esforço. Fito a janela e vejo o tempo passar. O sol, as nuvens e a chuva...só esta parece ficar. Queria poder ser ajuda de mim própria mas hoje não...Hoje não é um bom dia...
Segunda-feira, Abril 19, 2004
Aqui no planeta Terra
Penso que hoje não poderei dormir. Sei que se te estendesse a mão, em jeito de súplica, tornaria a mim vazia...
Sábado, Abril 17, 2004
Posts quase em branco V
Não me apetece querer saber de mim. Nem tão pouco dos outros. Poderão ir, virar costas e partir. Eu aqui fico e pouco mais.
Quinta-feira, Abril 15, 2004
À beira de um ataque qualquer
Ás vezes nem sei o que te salva, se a minha cegueira...ou se os beijos que perdes em mim...
Quarta-feira, Abril 14, 2004
Porque há muito que deixei de consultar a morada do anterior, tendo perdido a palavra mágica, aqui deixo novo endereço electrónico.
Ujib@mail.pt
Terça-feira, Abril 13, 2004
Lugares II
Apetece-me puxar de um cigarro. Logo a mim que não fumo. É que tal imagem agravaria o drama. Eu e um cigarro pensante. Eu, um cigarro e uma noite inteira de insónias. Eu e tu ausentes. Tu de mim. Eu, forçosamente, de ti.
Comigo no sofá. Agora durmo aqui, desde alguns meses. Deixei de contar. Que interessa isso? Apenas que só aqui me deixo estar. Televisão ligada algures sem interesse, som mudo. A voz de Elis é a única coisa que deixo soar, em tom de fado.
Hoje já nada apetece. Amanhã, depois vê-se
Segunda-feira, Abril 12, 2004
Lugares
Continuo sem dormir na nossa cama. Visito-a todos os dias. Coloco os despojos do dia sobre ela. A roupa, a mala e a papelada que chega no correio. Olho-a num misto de sentimentos. Está ali abandonada, castigada, sozinha aos meus caprichos. Está ali a torturar-me, a lembrar-me de ti. Passa o dia e temo a chegada da noite. É que com ela vem também a angústia de um quarto vazio. Tentei por inúmeras e inúteis vezes voltar. Não consigo. Não dá. Fico numa ansiedade louca e dou por mim a chorar. Da perda. Não por mim. Nem tão pouco por ti. Sinto um aperto de saudade de um tempo perdido que sei que não volta mais. Penso o quanto fomos completos ali, até mesmo nos gestos mais simples da nossa existência. Que dizer das vezes que adormecia no sofá, enquanto devoravas as folhas de jornais e dos livros que comprava para mim mas que teimosamente não encontrava tempo para os ler, e me levavas pacientemente nos teus braços? Que me abrias a cama e me colocavas nua lá dentro, num compasso de espera?
De tempos a tempos dou por mim a odiar esta minha estupidez e penso em abandonar este espaço, esta cama, este quarto, esta casa...onde já fomos um dia qualquer coisa mais?
Mas e se nunca houver outra cama, um outro tu?
Terça-feira, Abril 06, 2004
Posts quase em branco IV
O tempo amontoa-se. Ou talvez siga em contagem decrescente. Não sei. A mim como sempre, pouco importa. Noto apenas que não estás. É assim que vivo, sem ti.
Tanto te fazia. Afinal que eram apenas umas horas sem nós? Mais uma ausência nossa ? Menos um anoitecer entre nós? Menos um amanhecer de despedida?
Quinta-feira, Abril 01, 2004
Tons de Música II
Ainda me alteras os passos se te vejo passar
Energias se cruzam num segundo do olhar
Num momento em que somos só dois na multidão, e desejamos voltar...
Ainda me alteras a fala se te encontro parada
Nesse sensual fumo, nessa cinza esquecida de quem não se interessa
Ou de quem não atura os teatros da vida
Ainda me fazes pensar, quase achar, que te amo
Quase achar que o destino se enganou no caminho
Esperar que me toques é vicio que adoro e que me faz pensar
Foi mais um sol que nasceu mais uma vez igual
Mais uma vez contigo esquecemos o mal
que nos fazemos aos dois por deixar para depois o que fizemos real
Mais uma vez um abraço, aquele abraço de sempre
Aquele abraço que sente o que para sempre é segredo
Impaciente segredo e suave presença perdida em nós, despida em nós
Ainda me fazes pensar, quase achar, que te amo
Quase achar que o destino se enganou no caminho
Esperar que me toques é vicio que adoro e que me faz pensar
Só não te quero ver chorar por ti,
Só não te quero ver a olhar para trás, para nós
O teu mundo é como eu,
Gosta de saber porquê,
Só alguns sabem olhar esse fumo que é só teu
Ainda me fazes pensar, quase achar que te amo
O teu mundo é como eu
O teu mundo é como eu
O teu mundo é só teu...e meu
Ainda me alteras os passos se te vejo passar
O Teu Mundo
by Toranja