Quarta-feira, Dezembro 31, 2003

O porquê 


Não casei contigo por causa de um nome. Porque insistias no teu. Porque eu resistia. Ao nome. Ao teu nome. O meu era só aquele, não outro. Não era coisa móvel ou imóvel que se passasse de tutela. Dar-te-ia os filhos e a longevidade do teu nome. O meu morreria ali. Comigo. Último acto de amor ao meu pai. O seu nome. Não mudas? Não! Então não casamos! E não casámos.

Não casei contigo porque receei a minha velhice junto a ti. Verias meu corpo acabado, decrépito. Enrugado. Feio sem vida. Longe daquele que um dia amaste. Longe do calor que um dia te dei. O fim dos meus dias de graça. A graça que dizias que gostavas. Da minha graça. Porque não queria suportar a tua indiferença junto a mim. A tua ausência. Fui cobarde e nunca o quis descobrir. Abandonei-te. E não casámos.

Não casei contigo porque tive medo de mim. De te faltar. De te falhar. De não dar o melhor de mim. Porque não sabia quantificar o que sentia. Porque não sabia se durava um dia, uma noite ou se uma vida. Porque não sabia se era amor meu ou amor nosso. Porque não sabia se era amor teu ou só amor meu. E não casámos.

Não casei contigo porque eras um general de guerra. Sem descanso. Em luta. E pedias para eu lutar contigo. Por ti. Por nós. Á base da loucura. Sem sentido. Mas eu, general de outras, descansava agora. Fatigada e farta. Pedia amores dóceis e tranquilos. Tu, ao invés, pedias luta. E não casámos…

Não casei contigo porque não eras para mim.

Ou então não casei contigo porque não foi essa a minha sorte...


Segunda-feira, Dezembro 29, 2003

Neste azul 

Jamais serei outra que não eu. Aos teus olhos. Transparente. E essa será toda a tua certeza.

Despedida 

Sei que partes amanhã. Já mo tinhas dito. Tenho pena. Não que vás. Mas que vás assim. Sei que não irás procurar uma palavra minha. Quem sabe porque estarias na certeza de serem outras que não as desejadas. Partes em silêncio. De vez. Eu sei. Já nada poderei fazer. Não saberia o quê. Nem sei se o soubesse o faria. Nunca dependeu de mim. Por isso também saberás que não te irei procurar. Levas já tudo. Daqui já nada depende. No entanto quando amanhã partires olha algures. Poderei ser eu. Poderei ser eu a descansar na minha certeza que já nada somos. Para isso um olhar. Último...derradeiro.

E quando? 


Que fazer quando o nosso melhor não chega?

Um suspiro? Um declarar de guerra?


Sábado, Dezembro 27, 2003

Porque te sinto a falta 


Nunca me sorris. Sonho contigo mas nunca sorris. Talvez o faças para minimizar a perda que a tua ausência me faz. É que quando me sorris, perco-me. Quando me sorris sei porque estou aqui contigo. Quando sorris daquele jeito sei que sou tua. É quando me dói fundo. Sinto uma dor que não te sei descrever. Sei que me toma em todo o meu ser. Fico presa. Imóvel na dor da perda que só eu sei sentir. E sei que quando me sorris o meu coração fica feliz...

Quarta-feira, Dezembro 24, 2003

Desejos... 

Que se pare. Que se sinta a ausência. Que se deseje o melhor. Sempre...

Sexta-feira, Dezembro 19, 2003

O que tinha de ser 


Porque foste na vida
A última esperança
Encontrar-te me fez criança
Porque já eras meu
Sem eu saber sequer
Porque és o meu homem
E eu tua mulher


Porque tu me chegaste
Sem me dizer que vinhas
E tuas mãos foram minhas com calma
Porque foste em minha alma
Como um amanhecer
Porque foste o que tinha de ser


Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes

Quarta-feira, Dezembro 17, 2003

Soneto da separação 


De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente

Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes

Terça-feira, Dezembro 16, 2003

A meio 


Depois de ti, virão outros. Um João. Um António. Um Pedro...um outro que não tu. Um nome qualquer. Uma cara. Um corpo. Um cheiro que não o teu...Outros desconhecidos.

Virão aos despojos, teus de conquista. Tomarão o meu corpo quente. Mas morto. Morto por ti. Morto sem ti. Morto.

Serei amada. Levada. Sem ti. Consumida. Exausta noutros braços. Amparada noutro corpo. Beijada. Tocada. Sofrida. Outros dias. Outro sol. Outra luz. Outras luas. Outros quartos. Outros amares.

Poderás ter consolos vários. Porque nunca me amaste. Porque nunca te preocupaste. Porque nunca nada tencionaste. Porque nunca nada te fui. Porque sou nada ...

Ou ainda, porque nunca serão como tu. Porque nunca serão tão bons amantes. Porque nunca serão notados. Porque nunca serão saudados. Porque nunca suficientemente bonitos. Porque nunca suficientemente desejados. Porque nunca suficientemente amados..

Porque nunca suficientemente suficientes...

Também antes de ti, outros houveram. Como o Miguel, que me amou assim assim...como o Nuno que nunca me soube amar com jeito ou graça...Como o Artur que nunca me amou e a quem eu só queria amar...Ou o Jorge, que dizendo que me amava, me deixou no vazio de uma ausência qualquer. Com quem casei amada sem amar. Com um outro Miguel, que pior que o primeiro, que não sabia o que era amar e inventava.

Como tu, que não me podes amar. Ou que não amas. Ou que não sabes. Ou que não queres.

Tu a meio... entre os que vieram e os que virão...

Sexta-feira, Dezembro 12, 2003

Pensamento que me apetece 

Nunca o nada é suficiente...

E tudo é o bastante...


És tudo no nada
E o bastante no suficiente


Quero de volta 



O melhor de mim. Aquele que te dei. O meu tempo. O meu melhor tempo. Aquele que te dediquei sempre igual. Aquele mesmo que ignoraste. Aquele que fingiste não ir vendo. Aquele em que me fui sentindo feliz...

Quero as semanas, dias, minutos, segundos, décimas...tudo!

Quero também os meus sorrisos. O sorriso que te fui dando. Os meus sorrisos em jeito de resposta. Os meus sorrisos esboçados enquanto me fingias amar. Os meus sorrisos...

E se não te importares, e eu sei que não, devolve-me o dia do primeiro beijo. O dia em que me tomaste na areia deserta só nossa. Devolve-me o sentimento que um dia tive, já perdido entre tantos, de que gostavas de mim. Devolve-me o gosto e a felicidade que tive, quando me pensava amada. Devolve-me os gestos de carinho que te dei. E os de amor também. É que tenho medo que não lhes sintas o respeito devido...

Podes ficar 


Com o choro. E as lágrimas. Seguidas. Em riste, umas atrás das outras. Com o desespero da espera. Com o tempo perdido à tua espera. Com os dias tristes. Com os dias sem sol e sem ti. Com os dias comigo enfiada na cama, sem sentido. Com as tristezas. Com todas as tristezas minhas. Com todos os sentimentos de inutilidade que me obrigaste a sentir. Com a frustração. Muita. Tanta. Com a raiva que te fui sentindo. Com a vontade de te largar. Com o jogar-te ao vento. Com o deixar-te aí. Onde queiras. Não me importo.
Com os nós de estomago. E os de raiva.
Com os dias de abandono. Como aqueles em que me decidi a ignorar-te. Aqueles em que te deixei...Os tais em que me tomaste sem muito sentido ou amor. Os tais em que me puxaste a ti. Os tais em que me condenaste ao provar o teu encanto, o teu sabor. Os tais em que me deixaste sentir o teu calor e carícia.
Os tais, como os de hoje, em que estou sozinha...

Quinta-feira, Dezembro 11, 2003

Entre aqui e ali 


Trago-te na minha mão

Ora apertado com fervor, próprio dos amantes

Ora largado de raiva, própria de mim... despeitada


Um dia 



Quando irás?
És areia em dia de vento...
Quando ao olhar em tua busca, não és mais do que a memória doce da tua boca e o toque quente dos teus dedos?

Quando?


Quarta-feira, Dezembro 10, 2003

Ela cantando 

Meu coração não sei porquê
bate feliz quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas te vão seguindo...

Mas mesmo assim foges de mim..

Ainda mais esta 

Ain't no sunshine when she's gone,
it's not warm when she's away.
Ain't no sunshine when she's gone,
and she's always gone too long
anytime she goes away.

Wonder, this time where she's gone,
wonder if she's gonna stay
Ain't no sunshine when she's gone,
and this house just ain't no home,
anytime she goes away."

Músicas  

Elis Regina. Todas, todas.

Terça-feira, Dezembro 09, 2003

Vontades assim aos poucos 

Quantas vezes te enterrei?
Tantas as vezes, como as que de peito atormentado, pesaroso e arrependido, vim esgravatar a terra para te libertar de novo...

Hoje enterro-te novamente. Meti-te uma pedra pesada...constrangida...insuficiente...

Mas não és tu quem morre hoje...

Domingo, Dezembro 07, 2003

A cada volta 

De manhã dispenso-te alguns minutos. Depois amasso-te e ficas nos recantos do meu corpo...

Uma verdade 

"I get along without you very well
Off course I do
Except when soft rains fall
And drip from leaves, then I recall
The thrill of being sheltered in your arms.
Of course I do
but I get along without you very well


I've forgotten you just like I should
Of course I have
Except to hear your name;
Or someone's laugh that is the same
But I've forgotten you just like I should"



Sábado, Dezembro 06, 2003

Uma tentativa 

Confundi-te à chegada, tu confundes-me à partida...

Sexta-feira, Dezembro 05, 2003

Em dia de chuva 

Retribuo os bons dias sem ninguém reparar o quanto esforçado me sai. Sorrio. Sorrio sempre. Trago as horas, poucas da partida. Sei que vou sem despedidas. Melhor assim. Não gosto de adeus tristes. Ficam a doer no peito, na alma, no sorriso, no olhar... em todo o lado. Gostava de um pouco mais, do quê mesmo não sei... Levo comigo a falta de me saciar...Daqui a nada

Quinta-feira, Dezembro 04, 2003

Desculpa 

mas não posso esquecer-me de mim. É aqui que te deixo viver..em mim... Lembrar-te é trair-me. Não me importo daqui além. Não me nego a prazeres meus, nossos.. No entanto apetece tudo que o me alivia.. Desejo não me importar.. Prefiro o nada, a calmaria, o sozinho, onde o peito quase não bate e sente pouco. E pouco ou nada te peço e tu nada ou pouco me dás

Quarta-feira, Dezembro 03, 2003

"Plutôt la barbarie que l'ennuit" 

Pois não sei...ás vezes talvez isso

Terça-feira, Dezembro 02, 2003

Maximus 

"parva scintilla excitavit magnum incendium"

Toblerone 

Confesso que ás vezes vejo o canal 1. Gostei de uma versão que os putos cantaram na OT II.

"
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de pagar
O que esta tua ausência me causou

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida
"





This page is powered by Blogger. Isn't yours?