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quarta-feira, maio 03, 2006

O regresso 


Há muito que não te escrevia. Passou-se um ano e pouco ou nada me lembrei de ti. Esqueci-me. Sem mágoas, sem ressentimentos. Ficaste aqui à minha espera. Também que outra coisa, poderias ter feito?

Ultimamente, vens-me à ideia. Dos tempos em que te dedicava o meu tempo dorido, que tardava em querer passar. Da sensação de alívio que me davas e do prazer de me ler estampada em ti. Agridoce. É assim que te descrevo. Sei que me entendes. Preferias que nunca te tivesse escrito uma linha das coisas que aqui te conto. Carregas tu o peso das palavras e a mim dava-me jeito, que não as suportava mais.

Há uns meses tomei a decisão firme de te voltei a escrever. Sinto-me contente.


segunda-feira, abril 25, 2005

O meu 25 Abril 

..
Nasci após a revolução de Abril. Quase um ano depois. Desde muito cedo que escutava à mesa, os meus pais e tios, falarem dos tempos do Salazar. Da pide e do que tinha sido o 25 Abril. De como o meu pai andara, á revelia da cautela, no meio da confusão. Valera o choro da minha mãe levando nos braços o meu irmão, de apenas 2 anos. A mim soava-me tudo um filme, mas de guião e elenco à portuguesa. Por entre uma elite conservadora e uns militares, despertos por uma guerra, uma vasta gente de "Tonis" de bigodinho e calça farta. Gente comum a gritar pela liberdade. Liberdade, na esperança de pão na mesa. Era este o meu 25 de Abril.
A cada data comemorativa, sinto-me mais culpada. A lembrança do sentido da revolução vai perdendo a força. Não se dá pela diferença. Tudo parece garantido. No entanto, dou ao dia o ceremonial devido, papo todos os especiais da Tv e jornais que abundam nesse dia. Numa esperança infantil, faço ainda um zapping a uma CNN, a uma BBC, convencida da importância da nossa revolução dos cravos.
A isto apenas se junta um almoço de família, onde a revolução traz o pretexto de falar mal do Portugal de agora, "Que isto no tempo do Salazar não era assim e havia nada senão respeito", sim, certo. Respeito e nada mais. Orgulhosamente sós.

Abril 

...
Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.

Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder

Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci

E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...

E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós

Paulo de Carvalho " E depois do Adeus"
Música: José Calvário
Letra: José Niza


sexta-feira, abril 08, 2005

Segredos 

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Durante o sono da noite, torno-me louca. Rasgo-te do meu corpo como se fosses um amontoado de trapos, indistintos em mim.
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quinta-feira, março 17, 2005

Sms 


Sinal de mensagem. És tu. Leio devagarosamente. É um hábito que me deste. Palavra a palavra e seus sentidos. Algo escondido. Um sinal. Um desconforto. Qualquer coisa que não quero deixar passar.

Menu. Opção, apagar? Resisto à tecla. Não consigo. Receio ser já, a última recebida. Num acto de saudade premeditada, guardo-a. O amanhã quem o sabe?

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Ausências 

Destino dos próximos dias...


segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Sem riscas 

...
Tenho casa nova. Só minha. Um espaço meu. Coisas minhas. Tudo escolhido num requinte demorado, pausado por horas. Tudo sem opiniões tuas. Não imaginas o alívio que sinto. Nunca te o disse, mas era um peso que trazia comigo. Sabia que nunca chegariamos a um concenso. A falta de ordem...Nunca teriamos concordado em nada. Via já, as riscas por tudo o lado. As berrantes e as doces. As largas e as curtas. As riscas, por todo o lado. Adoravas as riscas. A mim enervava-me.
Nunca seguias propriamente um estilo. Era como o que vestias num amanhecer do dia, qualquer coisa que te saía pela porta do armário. Mas o que vestias nunca me apeteceu contrariar. A casa foi diferente. Olha, não sei o que foi. Fartei-me. Fartei-me da tua falta de ordem. Fartei-me das tuas camisolas às riscas e calças por passar. Fartei-me de ti. E de nós.

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

Postais diários 

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Regresso a casa como qualquer outro regresso,
Como qualquer outro dia normal

Envolvo-me na tua manta fria de presenças,
Como em tantas outras, como em tantos outros dias normais...
..

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